INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POTENCIALIDADES E DESAFIOS DE UMA ADOÇÃO SEM REFLEXÃO CRÍTICA
Palavras-chave:
Inteligência artificial. Cointeligência. Educação crítica. Filosofia da ciência. Tecnologias digitais.Resumo
A Inteligência Artificial (IA) passou de uma tecnologia restrita a laboratórios para integrar, de forma acelerada, os processos educacionais em diferentes níveis de ensino. Plataformas adaptativas, assistentes de escrita e sistemas preditivos são promovidos como ferramentas capazes de personalizar a aprendizagem e otimizar o trabalho docente. No entanto, o uso acrítico da IA tende a reforçar modelos reducionistas, tecnocráticos e desumanizados. Este artigo, de caráter teórico-reflexivo, analisa os potenciais e os riscos da IA na educação à luz da filosofia da ciência (Popper, Kuhn, Latour, Morin e Bunge), em diálogo com autores contemporâneos da educação e tecnologia (Selwyn, Williamson, Luckin e Holmes). Propõe-se compreender a IA como instrumento de cointeligência — um assistente do pensamento — que, quando mediada por intencionalidades pedagógicas claras, pode fortalecer a ação docente e a formação crítica. Por outro lado, alerta-se para riscos como a opacidade algorítmica, a ilusão epistêmica e a automação pedagógica, que ameaçam a autonomia dos sujeitos. Este ensaio lança fundamentos conceituais para futuras investigações empíricas com professores da educação básica e superior.